domingo, 19 de junho de 2011

Proposta de Produção - Carta - 1 Ano

Vinhedo, 20 de abril de 2011,

Querido Fred,
Se não me falha a memória, faz seis meses desde sua última carta, e estou enviando esta para informar-lhe sobre meu novo namorado. Sim, estou namorando alguém que conheci em um daqueles clubes que você nunca gostou de ir. O nome dele é Henrique Lopez.
Foi num final de semana em que fui com algumas amigas minhas - a Joice, a Milena e a Catarina- assistir a um campeonato de vôlei masculino. Ele era titular da seleção que ganhou e também era amigo da Milena. Tudo começou por causa do incentivo dela, nosso cupido.
É bom poder sentir de novo essa felicidade que sentia quando estava com você, é claro, há muita coisa diferente, e como você mesmo diz: “cada caso é um caso”. Como sei que vai morrer de curiosidade estou enviando uma foto de nós dois em um show, aquele da Britney que você me indicou, e que foi muito divertido por sinal.
Lembro que me disse que estaria viajando por estes meses, então me avise quando voltar para que lhe apresente a Henrique, assim poderei conhecer a Alícia também.
Suspeito que você e Henrique se darão muito bem. Afinal os dois são fanáticos por esportes, torcem para o São Paulo, adoram pizza de três queijos, jogam Sudoku e xadrez igual dois “nerds” e não tiram a barba por nada, mas também não descuidam (o que é de se admirar, pois muitos homens, seus amigos, apenas deixam-na crescer de maneira desorganizada formando aquele ninho de ratos e insetos nojento), não se preocupe porque é como uma marca de vocês.
Ah, ele também desenha muito bem, diga-se de passagem, e é bem criativo. Com isso, tem me ajudado com alguns projetos de decoração que tenho feito para a empresa na qual faço estágio.
Além de namorado tem sido um grande amigo. Como escrevi, ele tem me ajudado bastante, é bem compreensivo com minhas mudanças de humor durante a semana, sinto que posso confiar nele e contar com ele para o que for. O Henrique é bem simpático e prestativo, acho até que ele se encaixaria naquela minha definição de príncipe encantado de quando eu tinha sete anos e que você descobriu no meu diário.
Bom, de qualquer maneira você tem que conhecê-lo para tirar suas próprias conclusões. Então me escreva o quanto antes, escreva assim que ler. E vamos combinar de nós quatro nos encontrarmos. Já estou com saudade, porque “infelizmente” você é meu amigo, e amigos de verdade sentem saudades.


Abraços da menina apaixonada,
Helena Lins Rezende

(Por Rafaela)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Simplesmente Imprevisível - Um relato de infância - 1 Ano

     Era primavera de 2004, há poucos dias tinha sido meu aniversário de oito anos e eu estava na segunda série. Lembro-me muito bem daquela semana. Tudo parecia normal, nada além de uma semana ordinária. Como toda segunda-feira eu havia acordado de mau humor e com preguiça, mas assim que chegava à escola minhas amigas Mariana, Rayssa, Maíra e Luiza me animavam.
     O assunto da semana era os novos óculos da Luiza que ela iria buscar na terça-feira. Ela o descrevia enquanto conversávamos, dizia que ele era roxo, retangular e lembro que ela mencionou que os óculos eram da Kipling.
     E assim a semana foi passando. Segunda-feira saímos todas juntas para brincar, terça-feira enquanto a Luiza buscava seu óculos, eu, a Mari e a Rayssa  fomos para aula de desenho e como na época nossa sala estava em reforma, sempre tínhamos aula em lugares diferentes. Era divertido. Cheguei em casa e vi um programa na televisão, até que minha mãe me mandou ir dormir. Como toda criança eu reclamei, gritei e esperneei, mas acabei indo dormir, sem saber a trágica notícia que me aguardava.
     Amanheceu. Era quarta-feira. Meus pais entraram bruscamente no quarto para me acordar. Havia algo errado. Minha mãe estava com uma cara apreensiva e segurava um jornal nas mãos, então ela olhou seriamente para mim e disse:
     - Filha, sabe a Luiza? Ontem ela estava andando de carro e ele bateu... A mãe e o irmão dela morreram e ela... Ela está na UTI. Assim que ela acabou de falar meu rosto era um misto de terror e confusão.
     - Então... Se você não quiser ir à escola hoje... Tudo bem - ela completou.
     Eu não queria ir à escola, não mesmo. Mas eu não podia deixar minha mãe preocupada comigo. Enquanto uma amiga precisava do nosso apoio, eu queria ser forte.
     - Não mãe, vou para escola - eu disse. Então, comecei a me arrumar para ir.
     Assim que cheguei à escola a aula começou e todos nós fomos até a quadra coberta - desde o Infantil, até o último ano do Ensino Médio. A dona Sônia pronunciou algumas palavras em homenagem aos mortos e dedicamos a eles um momento de silêncio.
     Os rumores na escola não paravam. Alguns diziam que a Luiza já havia morrido, outros que ela havia perdido a metade direita do cérebro e estava sendo mantida viva através de máquinas, fadada à morte. Eu não acreditava. Eu não QUERIA acreditar, afinal, não podia ser verdade. Como em um dia uma pessoa pode estar super bem e animada e no outro estar praticamente morta? Eu achava impossível.
     As semanas se passavam... Uma, duas, três... Sem notícias de melhoras, até que na quarta semana algo mudou. Para pior.
     Eu não lembro que dia da semana era, só me lembro que nossas duas primeiras aulas eram de Português, eu estava conversando com a Maíra e notamos que a Rayssa ainda não havia chegado. Era um dia chuvoso. Eu nunca esquecerei, porque aquela goteira na frente da nossa sala tornava o clima sombrio para a notícia que viria a seguir.
     Uma aula passou e a Rayssa chegou. Ela estava com cara de luto e carregava um guarda-chuva nas mãos. Ela entrou e sentou ao meu lado, então perguntei:
     - Por que você chegou atrasada?
     - Eu fui ao funeral da Luiza - ela disse. Eu fiquei pasma, em estado de choque, pois pensava que, finalmente, tudo estava melhorando.
      Os dias se passaram e o pai de Luiza chamou a mim e a Rayssa para perguntar se queríamos algum brinquedo da Lu, mas não queríamos nada, a não ser a própria Luiza.
     (...)
     A lembrança da morte da Luiza Gardel acabou tornando-se uma recordação passageira e alguns dias atrás esse assunto reapareceu enquanto eu conversava com a Mariana sobre um projeto de texto que a nossa professora de Português pediu em forma de relato pessoal sobre um fato marcante de nossa infância, então decidi que seria sobre isso que eu escreveria.

(Ana Letícia)

A bolsa de ballet e a caixa de lápis - 1 Ano

     
       No ano de 2005, quando eu ia começar a terceira série, meus pais me mudaram de escola.
      (...)
      Tudo começou bem. A primeira semana foi boa, eu me enturmei, a minha sala era no segundo andar ao lado de um banheiro e tudo parecia correr tranquilamente. Um dia a diretora entrou na nossa classe dizendo que uma bolsa de ballet e uma caixa de lápis de cor da Faber Castell com vinte e quatro cores tinham desaparecido no banheiro ao lado da minha sala. Uma menina deixou na pia para usar o banheiro e quando ela saiu não estava mais lá. Eu mal sabia, mas esse roubo iria me atormentar por um longo tempo.
      A diretora disse que a bolsa tinha sumido em certo dia da semana e a menina que pegou usava um tênis branco. Por uma maldita coincidência eu tinha ido ao banheiro aquele dia e meu tênis era um Nike branco. Não demorou muito para a sala inteira me chamar de ladra e dizer que eu tinha “roubado” a bolsa e a caixa de lápis da menina. Quando batia o sinal do fim do recreio, todos os alunos iam para uma mesa e se arrumavam em filas por série para subir e ir para a sala. Depois de a diretora perceber que estavam me acusando, ela passou a falar, quando batia o sinal e todas as salas estavam juntas, que ela sabia quem tinha roubado a bolsa e a caixa de lápis, e se a pessoa não se entregasse, ela ia mandar a polícia na casa dessa pessoa. A diretora ia todos os dias na minha sala e ficava do meu lado falando. Ela não dizia meu nome, mas olhava para mim. Os alunos da minha sala ficavam comentando que eu tinha roubado a bolsa. Como consequência, eu voltava para casa, contava para a minha mãe e todos os dias chorava muito por isso.
      Certo dia minha mãe foi à escola conversar com a diretora, mas por incrível que pareça, nada mudou. Ela continuava com as mesmas atitudes. Eu virei uma menina sozinha e confusa. Quando eu chegava em casa perguntava para a minha mãe chorando “mãe, fala, fui eu quem roubei essa bolsa? Por favor, fala”. Vendo isso, minha mãe foi falar de novo com a diretora, mas nada mudou.
      Eu comecei a ficar ainda mais confusa. Eu não sabia se tinha roubado a bolsa com os lápis de tanto que as pessoas falavam que eu tinha roubado. Parecia que eu estava ficando louca e o que os outros diziam me confundia. Eu aguentei seis meses tendo essa vida infernal, até que meus pais me tiraram daquela escola e poucos meses depois a bolsa e a caixa de lápis foram achadas. Outra menina tinha escondido e eles viram que eu era inocente.
      Até hoje eu sofro um pouco com isso, porque quando algo some ou é roubado eu fico desesperada procurando o que sumiu para ninguém me acusar. Algumas pessoas que estudavam na minha sala ainda lembram-se disso. Foi muito difícil superar e hoje quando eu vejo alguém sendo vítima de injustiças eu tento ajudar porque eu sei como isso é desagradável.

(Mariana)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A difícil tarefa de ESCREVER

           Fácil é falar, difícil é, com lápis e papel, dar significado ao pensamento.
          Expressar sentimento, defender opinião, relatar viagem, dar ordens, marcar um encontro...falar sobre tudo isso é muito fácil e simples, mas parece que com lápis e papel, as letras se embolam e, se não tomarmos cuidado, a comunicação fica comprometida. O outro pode não  entender o nosso objetivo comunicativo.
           É preciso planejar, rasurar, escrever, apagar, reescrever...lapidar a palavra. Afinal, escrever é uma arte...
         




           "Escrever é habilidade adquirida." (Ben Bradlee)